Longe vão os dias em que as matrioskas empoleiradas nas belas montras da rua Karlova me impressionavam. Ena tantas! Era eu então um turista sério!
O propósito de utilizar os turistas como objecto de estudo para o meu trabalho, apenas surge, umas semanas mais tarde, era eu já um estudante e habituado ao mau café da casa.
Desde então, as fotos que ia tirando, ditaram naturalmente o desenvolvimento do meu projecto.
Deste modo, quem tira uma foto, tira duas ou três, ou até mesmo cem, e aí, está obviamente a abusar, então deve compreender o necessário aviso: “Please do not touch these. They are not like postcards. Thank you.” Sim, porque que quando se mediatiza desta forma, está-se a mexer com as entranhas dos boémios que pestanejam a cada flash vindo da montra. Depois é só fazer as contas: dez milhões de ilustres visitais ao ano, multiplicadas por cem disparos de cada exemplar tecnológico. São mais do que as matrioskas! Contas por alto, claro!
Cada um com a sua caixinha multimédia, mas em bandos, com alguém à cabeça que, sabe qual o melhor carreiro a seguir, vão tentando emoldurar tudo o que encontram pelo caminho.
Que engraçado…
Ano, ano!
É mesmo cristal!
Imagem puxa imagem e de repente estava de costas voltado para o relógio astronómico, presente na praça da cidade velha… belo foi o meu espanto, ao descobrir no visor da minha câmara digital, um número considerável de orgulhosos turistas empenhando as suas caixinhas armadas, bem lá no alto prontas a disparar.
Muito bem! Palminhas! Os santinhos já rodaram, já sabemos as horas. Aonde vamos agora?
Bizarra obsessão mediática?
Não sei! Só sei que estive lá, queres ver as fotos!
Porto, 13 de Junho de 2005 [ Pedro Teixeira